Como precificar doces para revenda: a margem dos dois lados
Na revenda, o seu preço precisa caber na margem de outra pessoa. As faixas de desconto por volume, o piso que não se atravessa e a conta dos dois lados.
Como precificar doces para revenda começa pelo mesmo custo de sempre e termina numa margem menor. O brigadeiro que custa R$ 0,80 e vende a R$ 1,60 no varejo sai a R$ 1,20 num pedido de 300 unidades, ainda com R$ 0,40 de lucro por bolinha.
A proposta chega sempre parecida. Uma cafeteria, uma loja de conveniência, uma amiga que vende no trabalho: “eu levo bastante, mas preciso de um preço melhor”. A frase é sedutora porque resolve o seu problema mais chato, que é vender. No entanto, ela esconde uma conta que quase ninguém faz na hora: o seu preço agora precisa caber dentro da margem de outra pessoa, e continuar cobrindo a sua. A conta-base continua a de como precificar doces; aqui entra a segunda margem por cima.
Como precificar doces para revenda: o problema das duas margens
Na venda direta existe uma conta. Na revenda existem duas, empilhadas, e o consumidor final paga as duas.
Você vende a R$ 1,20. A revendedora vende a R$ 2,00. O cliente dela paga R$ 2,00 por um docinho que, na sua encomenda direta, sairia por R$ 1,60. Se o preço final ficar alto demais pro mercado dela, ela não vende. O seu preço de atacado precisa deixar espaço para os dois lados.
É por isso que precificar revenda não é “dar desconto”. É montar uma cadeia que funciona nos dois lados. Faça a conta de trás pra frente:
- Qual o preço final que o cliente dela aceita pagar? R$ 2,00.
- Quanto ela precisa ganhar por unidade pra valer o esforço dela? R$ 0,80.
- Sobra R$ 1,20 pra você.
- O seu custo é R$ 0,80, então R$ 1,20 deixa R$ 0,40. Fecha.
Se no passo 4 o número tivesse dado R$ 0,05, a resposta correta não seria aceitar e torcer. Seria dizer que não cabe.
As faixas de desconto por volume
Desconto de revenda funciona melhor escalonado e escrito. Assim você para de negociar caso a caso, e cada faixa tem uma justificativa real de produção.
Valores de exemplo, com o brigadeiro que custa R$ 0,80 a unidade. Troque pelos seus antes de fechar tabela.
| Quantidade por pedido | Preço por unidade | Margem sobre o preço | Lucro por unidade |
|---|---|---|---|
| Até 99 (varejo) | R$ 1,60 | 50% | R$ 0,80 |
| 100 a 299 | R$ 1,30 | 38% | R$ 0,50 |
| 300 a 599 | R$ 1,20 | 33% | R$ 0,40 |
| 600 ou mais | R$ 1,10 | 27% | R$ 0,30 |
Da primeira à última linha, o preço cai 31%, a margem passa de 50% para 27% e o lucro por unidade cai de R$ 0,80 para R$ 0,30. O custo de R$ 0,80 é o piso usado nesta simulação. Abaixo dele, você paga para trabalhar.
A tabela mantém o custo de R$ 0,80 em todas as faixas para não antecipar uma economia que talvez não exista. Se 300 bolinhas reduzem fornadas, embalagem e entregas, meça essa diferença e atualize o custo. Sem economia real, o desconto sai da sua margem.

A conta dos dois lados, lado a lado
Vale olhar a cadeia inteira de uma vez, porque ela costuma surpreender:
| Você (produz) | A revendedora | |
|---|---|---|
| Custo por unidade | R$ 0,80 | R$ 1,20 |
| Preço de venda | R$ 1,20 | R$ 2,00 |
| Lucro por unidade | R$ 0,40 | R$ 0,80 |
Sim, neste exemplo ela ganha o dobro por unidade. E sim, isso pode ser perfeitamente normal. Ela assume o trabalho de vender, a vitrine, o cliente que reclama e o doce que sobrou no fim do dia. Você assume a produção e recebe o pedido inteiro de uma vez.
A troca só fecha no volume. Compare a semana:
- Varejo: 100 unidades a R$ 0,80 de lucro dão R$ 80 na semana, com você vendendo bolinha por bolinha.
- Revenda: 300 unidades a R$ 0,40 dão R$ 120 na semana, com uma conversa só.
São 50% a mais de lucro semanal, com menos trabalho de venda. A revenda vale a pena quando o volume aparece de verdade.
Pedido mínimo, prazo e embalagem
Três regras que evitam quase todo problema de revenda, e que precisam estar escritas antes da primeira venda:
- Pedido mínimo. Cem unidades funcionam bem: é uma fornada cheia e a economia de escala existe. Sem mínimo, você acaba com o preço de 400 unidades num pedido de 40.
- Prazo de produção. Revenda é lote, e lote precisa de agenda. Combine dois ou três dias, e não aceite “pra amanhã” com preço de atacado.
- Embalagem coletiva. Na revenda, o doce vai em caixa de cem, não embalado um a um com laço. Se o revendedor quiser embalagem individual, isso é outro produto e outro custo.
O detalhe de como cada custo entra está no guia de como precificar encomendas, e a conta unitária do docinho mais pedido, no guia de quanto cobrar por um brigadeiro. Se o pagamento vier em cartão ou com prazo, o guia de taxa de cartão na confeitaria mostra por que a taxa entra por cima do preço, nunca por dentro. Quando você entrega, o guia de frete e entrega de doces resolve a parte do transporte.
Quando a revenda não vale a pena
Nem toda proposta merece um sim. Três casos em que a conta não fecha, por mais simpático que seja o pedido:
- O preço final dela é baixo demais. Se o cliente da revendedora só paga R$ 1,50, sobra pouco pros dois. O problema é o mercado dela, e ele não se resolve com desconto seu.
- O volume prometido é hipotético. “Se vender bem, eu levo mil por mês” não é volume, é intenção. Dê o preço da faixa que ela está comprando hoje, e suba a faixa quando o pedido subir.
- O produto é trabalhoso demais. Doce fino, personalizado e de acabamento à mão não escalam. A margem menor da revenda só se sustenta quando o volume baixa o seu custo por unidade, e no bem-casado ele não baixa: continua sendo uma tarde amarrando laço. Esses casos estão no guia de como precificar doces finos.
Existe ainda um risco que ninguém coloca na planilha: o cliente de revenda é um cliente só. Ele responde por metade da sua produção e some quando achar preço melhor, e aí você fica com a capacidade montada e sem quem compre. Não é motivo pra recusar, é motivo pra não largar a venda direta enquanto isso.
Pra montar as suas faixas com os seus números, a calculadora de precificação de doces mostra o preço, o lucro por unidade e o CMV mudando conforme você mexe na margem: baixe de 50% para 38% e veja onde o lucro para de compensar. O método completo está no guia de como precificar doces, e a tabela de preços por produto, na tabela de precificação de doces. Pra comparar as duas faixas lado a lado no Excel, a planilha de precificação de doces é grátis.
Revenda boa é a que sobrevive à segunda conta. Se o seu preço de atacado cobre o custo, paga a sua hora e ainda deixa a revendedora ganhar dinheiro, você montou um canal. Se ele só fecha porque você tirou a sua mão de obra da conta, você montou um favor de longo prazo. Qual dos dois está na sua tabela hoje?
Pare de cobrar no chute.
Cadastre receitas, insumos e embalagens de graça. Quando quiser o preço calculado de verdade, estoque e vendas, libere a Operação pelo site ou com uma compra única.
Ainda em dúvida?
01 Como precificar doces para revenda?
Calcule o custo real da unidade, defina o preço de varejo e só então reduza a margem por faixa de volume, nunca abaixo do custo. No exemplo deste guia, o brigadeiro custa R$ 0,80, vende a R$ 1,60 no varejo e sai a R$ 1,20 num pedido de 300 unidades, ainda com R$ 0,40 de lucro por bolinha.
02 Qual desconto dar para quem revende doces?
De 10% a 25% sobre o preço de varejo é um ponto de partida de exemplo, e só funciona se a sua margem aguentar. Escalonado por quantidade: 100 unidades a R$ 1,30, 300 a R$ 1,20 e 600 ou mais a R$ 1,10. Cada faixa precisa de uma justificativa real, como uma fornada em vez de três ou uma entrega só. Desconto sem economia por trás é lucro que você entrega de presente.
03 Qual o pedido mínimo para revenda de doces?
Cem unidades é um mínimo que funciona pra maioria: é uma fornada cheia, dá pra embalar de uma vez e a economia de escala existe de verdade. Abaixo disso, você tem o trabalho do atacado com o volume do varejo. Deixe o mínimo escrito na tabela de preços, junto com o prazo de produção, antes que alguém peça 40 unidades com preço de 400.
04 Como calcular a margem do revendedor?
Comece pelo preço final que o cliente dele aceita pagar e volte. Se a revendedora vende o brigadeiro a R$ 2,00 e quer R$ 0,80 por unidade, ela consegue pagar R$ 1,20 pra você. O seu trabalho é conferir se R$ 1,20 cobre o seu custo de R$ 0,80 com margem que valha a produção. Se não couber, o problema não é o desconto: é o preço final dela.
05 Vale a pena vender doces para revenda?
Vale quando o volume compensa a margem menor. No exemplo, 100 unidades por semana no varejo dão R$ 80 de lucro; 300 na revenda, com margem menor, dão R$ 120. Você troca parte do lucro por unidade por previsibilidade e menos trabalho de venda.